quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Poema de Boas Vindas.

Preciosa hora que surge-te aqui
De pensamento tudo era só meu
Opnião única plagueada em mim
Com trejeitos e dons te apareceu

Fecha-te portas e pega tua pena
Desenhas, atuas , escreve poema
Cabelo enleado em cor de Moema
Enchendo folha de agudo; de trema

Abriga-te sob a doce goiabeira
Levando com ela sua semente
Risos, risos, tem-te por inteira
Na brisa que em ti bate e não sente

Entre e vá, calmo por fenestra
Faz-te coisa sorrelfa em limbo
Com vil magia que diz-se sestra
Eu aqui declamo "sejas bem-vindo".


(Boas Vindas!)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O laço de fita.


Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita,
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.

(Castro Alves)


[Besteirinha]

domingo, 16 de dezembro de 2007

Versos de Bem Querer

Tenho em mim algo sábio
No qual busco real valor
Doce como puros lábios
Valente como proibido amor

Toma-me de vez o peito
Ganha-me sem nenhum temor
Sofro por servir de leito
Mas em ti caio em louvor

Será que um dia te findas?
Fonte intensa de terno sabor
Minh´alma feliz canta e
Fica pra trás o que já foi dor

Descubro em ti ser hábil
Deleito-me em teu calor
Doce como puros lábios
Valente como proibido amor

Momentos

Sabe como é, quando o filme dá erro na parte que mais se está gostando? Pois é como me sinto. Parece que o controle da vida pausa o momento mais feliz e liberta o vazio da tela. Inconstantemente essas coisas acontecem. Como se na mais seca risada, a luz acabasse e as cortinas fechassem para o seu momento. Não entendo, sinceramente, é como esperar acontecer algo que... Acreditem... Não vai acontecer. E sua espera se protela há minutos, horas, talvez dias.

O pior momento da vida é o momento da espera. Quando espera-se o sol vir com seu brilho ofuscante para lembrar que existe o mar. Quando espera-se ter alguém ao seu lado para contar a mais tola das ideias. Ou quando o esperar é tão solitário que te aflige na alma. Ah! Esses minutos - ou quartos de dia, a noção de tempo se perde - são tão entediantes que o vinho à mesa transfigura-se no desejo maior, que o frio na espinha já não incomoda tanto, e sua mente se perde em reflexões baldias e unitárias, absorvendo a flor na generalização do substantivo. A magia da vida se finda na simplicidade de tal sentimento.

Porém, tal reflexão sucinta que o mar sempre estará ali, seja pra admirá-lo com sua infinita limitação visual ou para banhar-se à meia-luz. Quanto as pessoas, elas existem de montão, ainda que para ignorar-te ao abraçar-te... Por aí estão.

- Mas a solidão? - Indago-me penosamente.

Prefiro acreditar que a solidão exista para a reflexão vital, necessária aos indivíduos. Considero-a dona de dupla cidadania, migrando entre os reinos da sabedoria e da loucura. Quem sabe conviver com a solidão - sólida que só - pensa virtuosamente, majestosamente, pois assim age quem tem o domínio dos momentos.

A magia findada renasce num processo reversível. Arremata-se: seja qual for seu momento, lembre-se: é inconstante.