sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Rita

Rita Bonita Transita Infinita Com laço De fita... Por vezes Aflita Rita Incita Birita Amanita Desfila Catita Seu laço De fita... Rita Pepita Recebeu Convite De um Moscovita Que em Visita Fumou Um maço e Beijou-lhe O laço De fita... Rita Bendita Aflita Infinita Pita Com o Pai Ama o Uruguai E não Sabe se Vai... Ou se Fita...

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ipê

da raíz
expansão
eleva-me 
o tronco
- asa...
subo
colho flores
na copa 
da minha casa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O Sol que Cega e Nutre

Há fome de fantasia no olhar
Que saturno anunciou como meteoro
A cruzar como luz a invernal atmosfera

Pulveriza-me as moléculas de existência
Tão solar...
Tão solar...
Vestindo a poeira estrelar da contemporaneidade

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Morte no Centro I

Aos olhos, o vigário
Caixão, população
Bandeira do Fogão
Retirada do armário

"Renan! Renan!
Não é reservado a ti o amanhã!
Comeste tuas frutas favoritas?
Escreveste as frases bonitas?
Não lhe cabe pensar
Pois tempo mais não há!"

Junto às palavras de morte, meu calvário
Ventania do fim do fogo que me arde
Voa-voa folha, saco plástico, vaidade
Como é bela a tarde na Rua do Rosário...

domingo, 23 de outubro de 2016

As Saias

Rode saia
E não saia
Pela tangente


Tanta gente
Que se anda, se roda
Que se roda, ciranda...

Tanto encanto nessa baia
Que há separatismo na Grécia
Pedindo que Rodes saia

Saia no chão
Saia no ar
Saia nos meninos do Pedro II
Era tanta saia rodando
Que julgaram, não por mal
Ser apresentação oficial
Quando só estávamos
Ensaiando

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Terceira Filha de Nilton

Encosto-te a mão Penetra-me a alma Pela ação e reação Sabes tu, Terceira filha de Nilton Sentes a indecência Que transforma meu quarto interno Quando emanas nua em voz tua "Aprovei a ti..." E aproveita-te... Aproveita-te... Me gemes, me gemes, sirenes Anunciando a orquestra sinfônica Me tremes, me tremes, saio de maca Em portões fechados me faz um gol de placa (tectônica)

domingo, 21 de agosto de 2016

Tu, Balão de Capadócia

Voaste tu
Como costumara voar
Tua saia...
Teus dias...
Tua alma...
Levaste
O parnasiano

À sombra,
Ao vento

Restei-me
Romântico

Recitando
Um cântico

Por um Atlântico
De sofrimento

Eremônimo (O Quarto)

areia, aridez, esfínge
tu, bailante oásis 
no deserto que o quarto finge

segunda-feira, 20 de julho de 2015

[O Dia de Hoje Não Se Repetirá]

[O dia de hoje não se repetirá]
As trombetas que anunciam o sol
Terão amanhã outro timbre
O sabor da gorda manga que escorre
O suco da terra
O abraço da mãe
O ranger dos armários
Dará voz a outras poeiras
[O dia de hoje não se repetirá]
Todo sonho é hoje
Ainda que na expectativa do ontem
Ainda que na saudade do amanhã
As plantas não tem ápice nas flores
As plantas tem ápice desda semente
[O dia de hoje não se repetirá]
Como amas teus amores
Se os tratas em contínuo
E nunca em encontros...
Amar é desconstruir reconstruções
Cada amar é tão seu
Cada bem é um novo cuidado
Cada minuto é tão escasso de hora
Nada pede o que se implora
[O dia de hoje não se repetirá]
Um terço no colchão
Mais é menos
Tempo de encontros...
Tempo de sabores...
Tempo de sabedorias...
Vista-se de existência
Após escovar os dentes

[O dia de hoje não se repetirá]
De arrependimento não se vive
Sabia do mantra, o Batista

Todo jornal é um novo hoje
Viste? Amanhã não existe
Nem pro sonho, nem pra louça

[O dia de hoje não se repetirá]
Os inícios dos rios são renascentes
Cada cuidado é um novo bem
Os rios não olham para trás
Nem os efemerópteros
Que tem por hoje a vida inteira
[O dia de hoje não se repetirá]


© michael nichols - efemerópteros no rio tisza 


 





sábado, 21 de março de 2015

Arquitetura da Utilidade

Tempo agride-me
Martela-me, atordoa-me
Rebela-se o cio criativo
No que a retina destoa
Das feições tramadas à urbe
Concretas caretices [duras]d'ouras
Que ainda desfalecidas
Envaidecidas de funcionalidade
Conduzem-me pelas veias de sangue cinza
Aos rumos de uma atroz cidade

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Saravá, Anastácia

[À meia-noite de sua noite de fuga, o jovem nagô levanta como fagulha de fogueira do pisador de terra batida e vai até a negra mais idosa da senzala entoando entreboca um canto-súplica, que todos aqueles que pingaram sangue ao solo conseguiam ouvir dentro de seus corações...]

Preta Velha, Preta Velha
Mãe de luz, força lúcida
Preta Velha, Preta Velha
Velha Preta, vou-me em fuga:

Preta Velha, Preta Velha
Esta noite vou-me embora
Vou-me pela mata adentro
Com o pensamento na senhora

Preta Velha, Preta Velha
Ouça este forte yorubá
Alimentarão-me ancestrais
À sombra d'um jacarandá

Preta Velha, Preta Velha
Antes a fome em liberdade
Me navega o cheiro da morte
Desde o navio da perversidade

Preta Velha, Preta Velha
Trouxe pedrinha da Luanda
Que me apego, quando preguiçoso
Consequente ao pito da liamba

Preta Velha, Preta Velha
Que a lua reza tácita
Me benze com tuas lágrimas
De saudade de Mãe África

Preta Velha, Preta Velha
Reze pois com muito empenho
Pra tu não vires chibata
E nem eu senhor de engenho

Preta Velha, Preta Velha
Entrego-me ao vento, sou mais um
Guiará-me Obatalá
Filho primeiro de Olorun

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Versos de Ventana

pique-escondeu-te
rumando às casas feias
lua dos tristonhos
aventurei a buscar-te 
para ceia
que me negas
por cheia
de meus assistidos
sonhos

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Poema do Dia Seguinte

Quando eu morrer
Me impactarão
Palavras de diversos calibres
Me beijarão os dias
Livres
Do pesar de minhas lutas
Quando eu morrer
Não cantarão os passarinhos
Haverá um concertinho
De meninos iluminados
Que libertaram os passarinhos
Para cantar longe
Quando eu morrer
Um partideiro fará silêncio
De dois minutos
Um tamborim chorará
Saudade
Luto
De tanto que eu dava no couro
Quando eu morrer
Deixarei dois bilhetes de amor
Um de amargura
Deixarei candura aos amigos
Aos inimigos,
Meus livros favoritos
Quando eu morrer
Levarei comigo meus pecados
Meus pecados de pureza
Meus ingênuos pecados inofensivos
Meus pecados de afeto
Carimbados em mim, feto
Antes mesmo da luz conhecer
Quando eu morrer
Viverei por novenas
Em córneas,
Rins
E empoeirados poemas

Nuvens

limites da redoma que fito
sob topo de exuberante lua aparente
que quando transparentes
me iludem de infinito