sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Aflição do Arretado Inimigo do Vento

Ventou ventania forte
E levou minha morena embora
Foi tremenda falta de sorte
Ventar por aqui agora!

Vou achar a estrada do vento
E buscar minha morena-pipa
Talvez pro final de novembro
Eu volte com boa notícia

Que o frio não a açoite
Enquanto eu não apareça
Pra ninar seu sono à noite
E na manhã afagar sua cabeça

Subo até o céu para com Deus
Reclamar do ar em movimentação
Que levou embora o que é meu
E só me fez ter lamentação

Trarei de volta minha doce morena
Nem que encare uma Odisséia
Por ela encho o jardim de falena
E mato vinte Leões de Neméia

Domo Minotauro pelo chifre
Enfrento até a tal sereia Iara
Pra te voltar com peito em riste
E nadarmos nus em Jericoacoara

Mas vai ver não precisa escarcéu
Vento que venta aqui, venta lá
E o vento a volte com um véu
Para nós podermos casar

Vou te tratar igual fulô
Te guardar no coração
Pra todo dia morrer de amor
Que nem chuva no sertão!