terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vinte Canções Desesperadas e um Poema de Amor

Berenice
Bem que me disse
Que o amor é tolo
Que amar é tolice
Que de amor não morre,
Tampouco vive
Que é história,
Solfejo prá boi dormir
Por ninguém perde o sono,
Ao deitar na cama,
Logo estará a dormir

Berenice
Bem que me disse
Que amor não faz bem,
Que é refúgio de carência
De quem não tem ninguém
Disse ainda, que
Nunca cheirou rosas,
Muito menos despetalou uma flor
Para saber se a queriam bem

Não leu Neruda,
Ouviu Buarque,
Nunca viu ninguém morrer de amor,
Domingo, no parque
Que é coisa de cinema,
Novela,
Que só há por trás da tela
Não é coisa nobre,
Não é coisa bela
Bocejo em fime de guerra
O que há de mais pífio na face da Terra

Ah, Berenice!
Se soubesses o quanto te amo...

Reaja.

Avante, coração.
Reaja!
Não aja como um rendido
Não pulse por quem te ultraja
Não sê insosso, pois
Tens em peito torto
A dor que se diz viva
De um amor que se diz morto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Desde o princípio fomos separados por poucas horas, por que tanto tempo?

E faz tanto tempo que não te tenho aqui. Tento seguir sem pensar em ti. Lembro de tudo que ocorreu, que não ocorre mais, de tudo que aconteceu e ficou para trás, de cada riso seu em lábios majestosos. Lembro das nossas fotos no meu celular que se afogaram no mar forte, lembro o quanto me doeu tê-las perdido. E agora, fora da minha mente, não há mais imagens nossas. Ao menos guardo as palavras em local seguro. Lembro de você indo viajar e eu correndo atrás do ônibus olhando seu rosto pela janela, a visão ficava embaçada pelo reflexo, mas cada detalhe seu que eu conseguia enxergar era um pedaço de nuvem que acariciava, ababosadamente, meus olhos. E quando o ônibus disparou e a física não permitiu mais que minhas pernas acompanhassem um veículo motorizado, recordo-me de ter utilizado a tecnologia da comunicação móvel - que nunca mais me foi útil - e ligado para ti:
- Já estou.
- Está o quê?
- Com saudade.
Acho que foi a coisa mais romântica que já fiz, e foi tão expontâneo! Lembro-me de sonhos, planos, lágrimas, de proclamar nossa eternidade em beijos. Tantos momentos que guardei em mim. Você sempre sorrindo, se vi você chorar mais de uma vez - sem contar as que causei - foi muito. Seu abraço trazia a paz para as minhas guerras pessoais. E seu ramalhar em meus ouvidos, exibia uma tonalidade de fazer inveja a compositor clássico. És a mais linda e esplendorosa que alguém um dia poderia sonhar em ter pra si. Está em um plano assaz elevado, que praticamente a vejo no céu, e nessas horas, eu, mesmo envergonhado, gostaria de ser uma pipa.