É retiro que não mais me apetece
Infindável gangorra em tons azuis
Soa-me como um inocente blues
De reunidas mãos, em sinal de prece
Em índole tunante fiz porto
Afável cais em bela marina
Fabulosas janelas de morfina
Aninham-me o coração semimorto
Há, contudo, que o Atlântico insiste
Em presença, que à fraca mente acalma
E que nele hei de morrer ancorado
Há dez docas, vento tem segredado
Zunindo em minha condenada alma
- Vida é onda, e o mar é sempre triste
segunda-feira, 18 de março de 2013
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Tenuidade
Mal querer, castigado refém
Açoitado em nome do pudor
Lembrarão eles, pois bem
Respiradores de amor
Que o "bem-me-quer" também
Despedaça a pobre flor?
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Delatorandorinha
Andorinha lá fora está dizendo:
- Abandonaste a poesia! Abandonaste a poesia!
Andorinha, andorinha, não sabes como estou!
Não abandonei a poesia, a poesia me abandonou.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Versinhos de Bem-Me-Quer
Brincou de ser favorita
Sorriu sem ser amor
Se a vida ficou colorida
Você foi o lápis de cor
Sorriu sem ser amor
Se a vida ficou colorida
Você foi o lápis de cor
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Dilaceração
Sorrelfa, extrapola os limites do meu verso,
Despeço.
Soturna, evade do alcance de meu braço,
Despedaço.
Despeço.
Soturna, evade do alcance de meu braço,
Despedaço.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
A Aflição do Arretado Inimigo do Vento
Ventou ventania forte
E levou minha morena embora
Foi tremenda falta de sorte
Ventar por aqui agora!
Vou achar a estrada do vento
E buscar minha morena-pipa
Talvez pro final de novembro
Eu volte com boa notícia
Que o frio não a açoite
Enquanto eu não apareça
Pra ninar seu sono à noite
E na manhã afagar sua cabeça
Subo até o céu para com Deus
Reclamar do ar em movimentação
Que levou embora o que é meu
E só me fez ter lamentação
Trarei de volta minha doce morena
Nem que encare uma Odisséia
Por ela encho o jardim de falena
E mato vinte Leões de Neméia
Domo Minotauro pelo chifre
Enfrento até a tal sereia Iara
Pra te voltar com peito em riste
E nadarmos nus em Jericoacoara
Mas vai ver não precisa escarcéu
Vento que venta aqui, venta lá
E o vento a volte com um véu
Para nós podermos casar
Vou te tratar igual fulô
Te guardar no coração
Pra todo dia morrer de amor
Que nem chuva no sertão!
E levou minha morena embora
Foi tremenda falta de sorte
Ventar por aqui agora!
Vou achar a estrada do vento
E buscar minha morena-pipa
Talvez pro final de novembro
Eu volte com boa notícia
Que o frio não a açoite
Enquanto eu não apareça
Pra ninar seu sono à noite
E na manhã afagar sua cabeça
Subo até o céu para com Deus
Reclamar do ar em movimentação
Que levou embora o que é meu
E só me fez ter lamentação
Trarei de volta minha doce morena
Nem que encare uma Odisséia
Por ela encho o jardim de falena
E mato vinte Leões de Neméia
Domo Minotauro pelo chifre
Enfrento até a tal sereia Iara
Pra te voltar com peito em riste
E nadarmos nus em Jericoacoara
Mas vai ver não precisa escarcéu
Vento que venta aqui, venta lá
E o vento a volte com um véu
Para nós podermos casar
Vou te tratar igual fulô
Te guardar no coração
Pra todo dia morrer de amor
Que nem chuva no sertão!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Àquele que mata a tristeza da gente
O mundo fez-se frio
Numa rua estreita
Que feliz me aceita
No Centro do Rio
Às palmas, a tarde varo
Não marco bobeira
Quando puxam Nogueira
Nem quando Clara, claro
Visa-me a mulata
Com a negra manha
Ao Canto de Ossanha
(Que sempre me arrebata)
Contente por inteiro
Do samba, só a nata
Na mão, só a gelada
Ao lado, companheiros
Um dia, aprenderão
Por tardar, com rosto rubro
Onde cavaco chora
Tristeza não faz muro
Malandro não dá furo
E felicidade não vê hora
Numa rua estreita
Que feliz me aceita
No Centro do Rio
Às palmas, a tarde varo
Não marco bobeira
Quando puxam Nogueira
Nem quando Clara, claro
Visa-me a mulata
Com a negra manha
Ao Canto de Ossanha
(Que sempre me arrebata)
Contente por inteiro
Do samba, só a nata
Na mão, só a gelada
Ao lado, companheiros
Um dia, aprenderão
Por tardar, com rosto rubro
Onde cavaco chora
Tristeza não faz muro
Malandro não dá furo
E felicidade não vê hora
terça-feira, 10 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Nebulosa
Escadas acima
Até o terraço
No caminho
Cansaço
Noite silenciosa
Já avistava
A névoa no ar
Que me agradava
O estresse desfeito
A cabeça feita
Visão se estreita
Pra que a retina usufrua
Como eram bonitas
As nuvens escamosas
Com pintas de estrela
Desviando da Lua
Até o terraço
No caminho
Cansaço
Noite silenciosa
Já avistava
A névoa no ar
Que me agradava
O estresse desfeito
A cabeça feita
Visão se estreita
Pra que a retina usufrua
Como eram bonitas
As nuvens escamosas
Com pintas de estrela
Desviando da Lua
terça-feira, 20 de março de 2012
O Mundo Anda Tão Complicado
Entro com um sorriso. Há nele algo. Algo que ressalta uma beleza que, até então, era nova pra mim.
No lado externo, uma garoa insistia em cair. O que fez ele reparar nas minhas meias molhadas e, apesar da diferença no tamanho dos nossos pés, procurar um par de meias que em mim coubesse. Sabia que eu adorava ficar de meias.
Chegamos há pouco da sessão das dez e, como de costume, eu não tinha que me preocupar com o horário que iria despertar. O que era bom, porque a bateria do meu celular iria me deixar na mão, como sempre.
Ainda está em processo de mudança para este local, mas acredito que, apesar do fogão, geladeira, cama, aparelho de som e televisão que havia carregado para o novo apartamento, a maior mudança em sua vida que aqui se encontra é, de fato, eu.
Apesar de não morarmos juntos, tenho a chave. Nunca me foi útil, pois nunca entrei sem ele estar. Faço esse tipo meio-tímida-meio-educada.
Final de semana farei uma feijoada. Ele pode chamar os amigos. Aposto que vai cantar aquela música do Chico quando eu compartilhar a minha ideia. Ele adora Chico, foi o primeiro presente que me deu na vida, uma coletânea do Chico em um aniversário meu. Definitivamente, farei uma feijoada.
- Estou com sono. Vem dormir agora?
E lá vou eu, mas não devo pegar no sono ainda, vou assisti-lo dormir por um tempo. Acha que não durmo a noite, pois sempre que acorda me flagra fitando o seu rosto.
Por mim, ficaríamos para sempre nessa proteção que desenvolvemos em cada lugar que possamos nos tocar. Afinal, lá fora, o mundo anda tão complicado...
quinta-feira, 8 de março de 2012
Oito de Março
Mulheres, admiradas à exaustão
Banhadas em fonte de ternura
Masculina alma, com calma, jura
Dedicar-lhes verso, pintura, canção
Ah, mulheres, o que quereis?
Somos fracos frente a vós
E não há força dentro de nós
Que não morra diante a vocês
Banhadas em fonte de ternura
Masculina alma, com calma, jura
Dedicar-lhes verso, pintura, canção
Ah, mulheres, o que quereis?
Somos fracos frente a vós
E não há força dentro de nós
Que não morra diante a vocês
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Confortável Purgatório
Na tempestade de outrora
Minha alma pairou
No relógio-qualquer-hora
Que o vento-leste levou
Apetite atravessado
Que rejeita e quer
Se vira do modo que der
Mundano, desvairado
Intrínseco gosto-café
Do querer abastado
Prometo durar até
Desalentar-se, ser fardo
Importuna à santa rosa
Que exponha em curto verso
A ambição que confesso
Cobiçar em excesso-prosa
Minha alma pairou
No relógio-qualquer-hora
Que o vento-leste levou
Apetite atravessado
Que rejeita e quer
Se vira do modo que der
Mundano, desvairado
Intrínseco gosto-café
Do querer abastado
Prometo durar até
Desalentar-se, ser fardo
Importuna à santa rosa
Que exponha em curto verso
A ambição que confesso
Cobiçar em excesso-prosa
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Caloríficos
E nas noites frias
Eu a mantinha
Agarradinha
Quentinha
Embaixo
Bem de baixo
Da minha mantinha
Eu a mantinha
Agarradinha
Quentinha
Embaixo
Bem de baixo
Da minha mantinha
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