sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Adorno.

Escassa era
Esperança posta
Surgiste florida
Doce aposta

Na primeira dança
Prendias-me forte
De ti juraste-me
Amuleto de sorte

Singelo faço-te
Estes versos em trapo
Como suave me confias
Uma flor de guardanapo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Clemência

Perdoe-me por ser direto
Que por impulso, pareça grosso.
Dominaste por tão certo
Parte a parte de meu todo.

Perdoe-me se por maneira
canto o amor, faço alarde.
Dominaste bem certeira
Todo o todo de minha parte.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quinhentos e sete anos e seis dias depois da descoberta.

Penso agora, o que vai ser daqui em diante? Eu poderia não olhar na sua face amanhã. Mas seria incoerente fazer isso depois que abalamos todas as estruturas sociais e mundanas que nos cercam. Eu poderia te odiar, definitivamente, te odiar. Você fala de outros pra mim, fala de quão gracioso era um ou outro amigo, e ainda tinha aquele seu ex-affair metido a canastrão, que só o timbre da voz me causa náuseas. Sem contar, ainda, nunca assumir pra ninguém que se sente atraída por mim. Talvez eu te ame, sim, poderia te amar. Poderia amar o jeito que prende o cabelo. Poderia amar suas curvas. Poderia amar suas cavidades bochechísticas. Poderia amar como usa vocativos que homens usam para se comunicar, vomitar nas mãos em concha pra não sujar o chão, a postura meio corcunda, e tudo isso com a feminilidade de uma princesa criada por Walt Disney. Poderia amar o jeito que me defende, e o jeito que me olha. Poderia amar seu sorriso ao me ver. Poderia amar seus olhos arregalados como de quem saiu de um mangá. Poderia amar sua dedicação e lealdade. Poderia amar o fato de ver beleza em suas amigas feias. Poderia amar você estalando meus dedos contra minha vontade. Poderia amar como me repreende quando outra garota me olha. Poderia amar o modo que reclama de tudo. Poderia amar quando me pede pra fazer caretas ou vozes. Poderia amar quando aparece com um machucado novo oriundo do mundo das Idéias. Poderia amar seu interesse por me fazer experimentar novos sabores. Poderia amar quando me liga e ficamos horas no telefone mesmo depois de nos vermos o dia todo. Poderia amar quando me recompensa por aprender algo. Poderia amar o jeito que absorve meus problemas e lida com eles melhor que eu. Poderia amar você gostar de trilhas sonoras. Poderia amar receber café-da-manhã na cama. Poderia amar quando esquenta a água para eu não tomar banho frio. Poderia te amar. Te amar além de tudo, e, ainda mais, se me amar de volta.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ardorável.

O melhor que posso
Agora fazer, é juntar-me
Em corpo a você

Cobiçar ardente
Beliscar com dentes
Teu lábio a tremer

Deslizar um beijo lento
Como suave veneno
Como suave você

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Incontáveis Decibéis.

- Ouve este som?

- Jesus amado!
  Nem chiado.

- Em dó, o tom.

- Timbre?

- Amor silenciado
  Por marcas de batom.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dedicatória.

Dediquei a Marte, a beleza de amar-te.

domingo, 15 de agosto de 2010

Estação

E aquele lugar
de sorrisos e prantos
deixou de ser seu recanto
para se tornar o meu.

domingo, 1 de agosto de 2010

King Kong

A beleza é capaz de dominar qualquer fera.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Refrão de Samba Triste.

Tamborim entristeceu
Meu coração o acompanhou
O surdo? Mudo
Cavaquinho não chorou
Cerveja recolheu-se
Para o fundo do isopor
E o carnaval lá se foi
Junto com o meu amor.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dois ou um?

Ah, eu entendo perfeitamente. É aquele abraço que o braço enrola no outro corpo, e a cabeça escolhe um ombro para repousar. Os olhos fecham, os braços pressionam com a força mais confortável o outro para si. Ambos entram em sintonia perfeita e igualitária. Não importando a gritaria dos filhos do vizinho ou o barulho do tráfego. E nem Einstein conseguiria interpretar a importância daquele espaço-tempo.

- Meu Deus, você tirou isso de onde?

Da minha lembrança.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vinte Canções Desesperadas e um Poema de Amor

Berenice
Bem que me disse
Que o amor é tolo
Que amar é tolice
Que de amor não morre,
Tampouco vive
Que é história,
Solfejo prá boi dormir
Por ninguém perde o sono,
Ao deitar na cama,
Logo estará a dormir

Berenice
Bem que me disse
Que amor não faz bem,
Que é refúgio de carência
De quem não tem ninguém
Disse ainda, que
Nunca cheirou rosas,
Muito menos despetalou uma flor
Para saber se a queriam bem

Não leu Neruda,
Ouviu Buarque,
Nunca viu ninguém morrer de amor,
Domingo, no parque
Que é coisa de cinema,
Novela,
Que só há por trás da tela
Não é coisa nobre,
Não é coisa bela
Bocejo em fime de guerra
O que há de mais pífio na face da Terra

Ah, Berenice!
Se soubesses o quanto te amo...

Reaja.

Avante, coração.
Reaja!
Não aja como um rendido
Não pulse por quem te ultraja
Não sê insosso, pois
Tens em peito torto
A dor que se diz viva
De um amor que se diz morto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Desde o princípio fomos separados por poucas horas, por que tanto tempo?

E faz tanto tempo que não te tenho aqui. Tento seguir sem pensar em ti. Lembro de tudo que ocorreu, que não ocorre mais, de tudo que aconteceu e ficou para trás, de cada riso seu em lábios majestosos. Lembro das nossas fotos no meu celular que se afogaram no mar forte, lembro o quanto me doeu tê-las perdido. E agora, fora da minha mente, não há mais imagens nossas. Ao menos guardo as palavras em local seguro. Lembro de você indo viajar e eu correndo atrás do ônibus olhando seu rosto pela janela, a visão ficava embaçada pelo reflexo, mas cada detalhe seu que eu conseguia enxergar era um pedaço de nuvem que acariciava, ababosadamente, meus olhos. E quando o ônibus disparou e a física não permitiu mais que minhas pernas acompanhassem um veículo motorizado, recordo-me de ter utilizado a tecnologia da comunicação móvel - que nunca mais me foi útil - e ligado para ti:
- Já estou.
- Está o quê?
- Com saudade.
Acho que foi a coisa mais romântica que já fiz, e foi tão expontâneo! Lembro-me de sonhos, planos, lágrimas, de proclamar nossa eternidade em beijos. Tantos momentos que guardei em mim. Você sempre sorrindo, se vi você chorar mais de uma vez - sem contar as que causei - foi muito. Seu abraço trazia a paz para as minhas guerras pessoais. E seu ramalhar em meus ouvidos, exibia uma tonalidade de fazer inveja a compositor clássico. És a mais linda e esplendorosa que alguém um dia poderia sonhar em ter pra si. Está em um plano assaz elevado, que praticamente a vejo no céu, e nessas horas, eu, mesmo envergonhado, gostaria de ser uma pipa.

sábado, 15 de novembro de 2008

Fragilidade Sentimental


De tudo, mudo
Falo nada
Você é o meu mal
Cambaleante na calçada
Fragilidade sentimental.

Em trevas fez morada
Explode em ato infernal
Até cravar-se a facada
Fragilidade sentimental.

Renan Coelho