sábado, 21 de maio de 2011

Amuleto

E acontece que bate forte
Do acaso não costumo saber
Não sei se você me dá sorte
Ou se a sorte me deu você

Um Doce

Do seu semblante, o sorriso.
Do seu beijo, o paladar.
Da sua pele, o tom
De uns dias, como se afasta
De outros, como se aproxima
Nos minutos que não se importa
Nas horas que desmente o citado acima
De como divide o mesmo local
Mas só dá "oi" na hora do "tchau"
De quando me pergunta se é a preferida
Ou no mínimo a mais legal
De como pode dedicar um dia todo a mim
E no dia seguinte fingir que não o fez
És uma contradição dentro de si
Um charme a mais a se incluir
Mas o que gosto, além desse todo
É quando você sabe o que falar
E deixa um leve sorrisinho bobo

domingo, 1 de maio de 2011

Paraíso Astral

E eu só queria encostar meus pés na maré alta de Ipanema. Seguir pela Rainha Elizabeth sem rumo definido. Emergir minh'alma do solo ao céu. Tocar estrelas, beijar constelações, suavizar todo e qualquer mal que eu de lá avistasse. Esquecer de tudo que é real para amar tudo que for boreal.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Bem Loura ou Devassa?

Um, bêbado, tentava falar
O outro na cerveja, pimenta
E gordura não, carne suculenta
A do lado, com aquele olhar!

Pelo amor de Deus, me deixem ver o jogo do Ceará!

terça-feira, 12 de abril de 2011

O sorriso mais marcante.

E quando eu entristeci, fez-se primavera, o céu abriu e uma borboleta passou pelo fundo azul. Não tive dúvidas, era a sua maneira de me consolar.

sábado, 9 de abril de 2011

- Não vou brigar com você.
- O que isso significa?
- Não sou como seus outros namorados. Não vou brigar, não vou mentir, não vou te trair. Vou ao cinema, se quiser ir... maravilha. Se não, nos vemos depois, porque eu vou voltar. E vou continuar voltando, mesmo que tente me afastar. Pode acreditar em mim ou pode continuar me testando, de qualquer modo, os resultados serão os mesmos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sua Visão

     A lua já se fazia soberana no céu. O despertador já era programado pela maioria das pessoas. Bêbados e boêmios cantavam sambas que o tempo tentava apagar da memória popular. Estava eu em meu aconchegante recanto, cansado, porém era algo que minha visão não queria negar. 
     A pouca incidência de luz, oriunda do poste mais próximo, deixava um brilho estrelar na silhueta ainda visível. A respiração leve e ritmada, como um tango antigo, fazia seu corpo extender e recolher de um modo que me confortava estar ali. Os fios de cabelo cobriam levemente a maçã do rosto, como folhas que tentam esconder a mais doce fruta. Pálpebras imóveis, como se anjos as acariciassem e as mantivessem calmas. Um corpo que parecia esperar por acalanto, um filhote longe da ninhada, contraído, como se buscasse calor no vento da madrugada. As velas, ainda que apagadas, velavam sua alma, esta, acesa. 
     Regressava eu da boemia, embriagado sentava na poltrona frente à cama. Admirava o mais belo quadro da pinacoteca do meu desejo. E ali, estático, ele era belo. E, simplesmente, dormia.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Coisa Quebrada

Avistei embaixo da cama.
Pequenino, um fragmento.
Peguei rápido, sem temor,
No mesmo instante, gargalhei!
Gargalhei de sentir dor!
Encontrei, que engraçado:
Um estilhaço do nosso amor.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cenário Perfeito.

Solidificado na memória
Um beijo, uma glória
Ao ouvido um realejo

Desce o sol no horizonte
Tomado em plena fonte
Que nem era de desejo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Pureza de Menina

Pediu-me para ensiná-la o amor, o que de mais puro escutei. Sou bom professor, não nego. Mas se tratando de amor, me entrego. Pois onde já se viu, um cego guiando outro cego?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mas Quá! Despertei!

Por cima do mar da ilusão
Eu naveguei! Só em vão
Não encontrei
O amor que eu sonhei
Nos meus tempos de menino
Porém menino sonha demais
Menino sonha com coisas
Que a gente cresce e não vê jamais

Roberto Ribeiro

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cordel de General.

E foi declarada a guerra!
Primeira página do jornal!
Hoje é que ninguém vai
Ler a coluna social.
Pronto em marcha, dois exércitos
Concentrados, por normal.

Diz valorizar a terra,
O primeiro General.
Se importa o segundo,
Só com seu vasto quintal.
Este, por completo cerca-se de
Protecionismo estatal.

Luto pelas baleias,
Pelos campos e livros
Luto pela futura
existência do ser-vivo
Por humildes que contrastam
Com a amargura dos altivos

Ele lá luta por nada,
Nem sequer um ideal.
Te amordaça com gravata
Só pelo tal capital
- discurso bem bonito
Do primeiro General.

Pera lá, mas vejam só,
O aquecimento global.
Sem hidrelétrica não
Ligariam o ar central
Se a florest'eu não abatesse
Que calor! Seria infernal.

O que eu proponho é futuro
É bem-estar social
Dedico à lã, secadora
Você pra moça, varal
- demasiado eloquente
Esse segundo General.

E todos, pois, se perguntam e
perguntar nunca fez mal
Na mentira cá utópica ?
Ou na verdade imoral?
Já estão mais se peguntando
Se cai chuva no aral.

Usei tanto "General"
Fui injusto com o quartel
Pois aqui na região
Chamam-lhes Seu Coronel
E por meu tempo de vida
Que não leiam esse cordel.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Íntimos.

Sua-me
Soa-me
Sou

Sua.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Penso que tenho um certo gosto pelas dores mais lentas.

Há em mim um corte, profundo, inquietante, incurável. Nunca sei ao certo seu comprimento, doze ou catorze centímetros. Ponto. Digo, pontos, tentam manter-lhe fechado. E toda vez que chega próximo da cicatrização, eu, com faca em mãos, mantenho viva sua existência. Cada vez que ele se abre, fica pior. Mantenho-lhe vivo em bilhetes e palavras, em indiferenças e fingimentos, em noites e silêncios, em lemes e velas.